sexta-feira, 9 de julho de 2010

violencia contra a mulher

Caso Eliza
Mulheres brasileiras são assassinadas e um caso famoso vem à tona

por Paula Silva

De acordo com o Mapa da Violência no Brasil 2010 - 4,2 mulheres em cada 100 mil são assassinadas no país. Recentemente um caso chama a atenção da mídia e da opinião pública. Eliza Samudio, ex-namorada do famoso jogador do Flamengo Bruno preenche os noticiários e traz à tona uma questão gritante no cotidiano e que ainda nos envergonha muito, típico de uma sociedade machista: a violência contra mulheres.

Campanhas diversas orientam as vítimas de agressão a denunciar em qualquer delegacia ou nas criadas especificamente para este fim. Mas até que ponto essas mulheres são ouvidas, os casos investigados e os culpados punidos? Utilizando como exemplo o atual caso famoso, notemos que a própria Eliza foi ao Jornal Extra denunciar agressão e ameaças do ex, o tal goleiro famoso, registrou a ocorrência em uma delegacia e teve material biológico colhido para exames. Naquele momento seu alerta mal foi ouvido.

Agora o caso resultou em uma situação irreversível. Hoje Eliza, provavelmente já morta, tem o holofote da imprensa sobre o seu caso e a polícia mobilizada; mas pode ser tarde demais. A garota já está morta, esquartejada e enterrada de acordo com investigações da polícia. Irresponsavelmente a Revista Veja que tem o caso como sua atual capa levantou um perfil que beira o ridículo para o momento, ressaltando características psicológicas da vítima como sendo uma pessoa com transtornos psicológicos, que ameaçava o jogador e ainda apresenta argumentos na tentativa de depreciar a imagem de Eliza, que agora não pode se defender (como se tivesse sido julgada e considerada culpada), apresentando uma garota promíscua, “maria chuteira”, que atuou como atriz de um filme pornô... e...? Nada justifica ou justificará a sua morte por motivo tão torpe.

O fato é que os culpados devem ser julgados e se as suspeitas se confirmarem o goleiro Bruno e seus cumplices devem ser punidos, fazendo com que a lei prevaleça. Nenhum famoso pode estar acima da lei. Ninguém deve estar acima da lei, muito menos um famoso que, pelo contrário, deve servir de exemplo aos demais.

Que seja feita a Justiça, que as mulheres seja respeitadas, conscientizadas de seus direitos e que as delegacias de fato justifiquem a sua existência que é para apoiá-las e protegê-las no momento em que elas precisem erguer suas mãos em busca de socorro.

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